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    “As mulheres não estão chatas, elas têm é falta de hormonas”

    Isa Silvestre tem uma clínica de psicologia em Lisboa/DR

    Recomeçar sem transformar o regresso numa nova exigência

    Foto do médico Carlos Veiga publicada no seu site de Coerência Bioemocional/DR

    “Lembro-me da sensação de morrer. Era muito agradável.”  

    Manu Aurindo criou a marca Cosmética Natural/DR

    Naturalmente Cosmética Natural: “É nas dores que nascem projetos bonitos”

    “O corpo contém toda a verdade”

    Cláudia Barros dedica-se a desmistificar a menopausa junto das mulheres/DR

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    Isa Silvestre tem uma clínica de psicologia em Lisboa/DR

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Início Saúde

“As mulheres não estão chatas, elas têm é falta de hormonas”

por Sandra Xavier
Setembro 10, 2026
em Saúde
DR

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Depois de tempos a trabalhar como médica de Clínica Geral em Centros de Saúde, Cristina Roriz foi estudar por si, pois não queria acreditar que a medicina “fosse só aquilo” – atender pessoas de 15 em 15 minutos. Fez uma Pós-Graduação sobre Terapia de Reposição Hormonal, em S. Paulo, com o médico brasileiro, Lair Ribeiro, e o curso de Modulação Hormonal com os médicos Rodrigo Ayoub e Ivone Mirpuri, em Portugal, ambos referências na área. Defende a modulação hormonal e a terapia de reposição hormonal, ajudando mulheres na menopausa e na perimenopausa, que “é como andar numa montanha russa, mas como os olhos vendados”.

 Integrall: O que é a menopausa?

Cristina Roriz: A menopausa é um diagnóstico retroativo que equivale ao último dia em que a mulher menstruou pela última vez. Portanto, nunca sabemos quando é que acontece, pois é preciso esperar um ano para olhar para trás e dizer: foi ali que a mulher menstruou pela última vez. É a partir daí que se diz que está em menopausa.

“A menopausa é um diagnóstico retroativo que equivale ao último dia em que a mulher menstruou pela última vez”

Integrall: Qual é a idade média da menopausa?

Cristina Roriz: A média de entrada na menopausa é entre os 49 e 53 anos, mas há pessoas que entram antes e outras que entram depois.

 “Por volta dos 35 anos a mulher começa em declínio hormonal: os ovários começam a não funcionar tão bem e as hormonas já não têm os níveis que tinham antes”

Integrall: Antes de entrar na menopausa, a mulher está em perimenopausa. O que é que isso significa?

Cristina Roriz: Antes de entrar na menopausa, a mulher está em perimenopausa, que pode ou não dar sintomas, como irregularidades menstruais. Há mulheres que sentem mais, outras sentem menos, mas, por volta dos 35 anos, a mulher começa em declínio hormonal: os ovários começam a não funcionar tão bem e as hormonas já não têm os níveis que tinham antes.
Às minhas pacientes, costumo explicar quais são os sintomas mais e menos frequentes menos frequentes e quando estes sintomas, efetivamente, as incomodarem, então, está na altura de fazer algo, porque, uma coisa é a mulher ter, tranquilamente, um pequeno atraso e os seus ciclos menstruais tornarem-se mais longos ou mais curtos, mas está ativa e consegue gerir a sua vida; outra coisa, é começar a ficar cansada, irritada, sem paciência, ou seja, os sintomas começam a tirar-lhe qualidade de vida; estando nesta faixa etária, é preciso ver o que que se passa em termos hormonais. Quando os sintomas interferem no seu dia-a-dia familiar e profissional, está na altura de procurar ajuda e neste caso não é, como ouço muitas doentes a quem disseram: “aguente-se e depois logo se vê”. Nada disso, é procurar ajuda o mais cedo possível junto de um clínico formado nesta área – o que não é assim tão fácil -, e que não diga à mulher “que é para aguentar porque a sua mãe também aguentou”.

Integrall: Quais são os sintomas mais e menos frequentes da perimenopausa?

Cristina Roriz: Os mais frequentes são calores, insónias, acordar ao meio da noite, o sono que deixa de ser reparador, porque a pessoa acorda às três/quatro da manhã e já não consegue voltar a dormir ou mesmo que durma, parece que não descansou, humor mais depressivo, cansaço, apatia, irritabilidade, ansiedade, oscilação do humor, secura vaginal, baixa libido, dor no ato sexual, pele seca, cabelo quebradiço, ganho de gordura abdominal. Os sintomas menos frequentes vão desde zumbidos, passando pelo ombro congelado, dores osteoarticulares até à comichão nos ouvidos.

Imagem cedida pela médica Cristina Roriz

Integrall: Como é feito o diagnóstico?

Cristina Roriz: É preciso fazer um perfil hormonal alargado, ver como está o metabolismo, as vitaminas, os minerais, os hidratos de carbono, o colesterol, o ácido úrico, como estão os rins, o fígado, a tiroide, que rege os ovários, porque, por exemplo, uma pessoa que começa a engordar, pode ser alguém que está a entrar numa crise nervosa, que está a fazer um hipotireoidismo ou pode simplesmente estar a comer imenso.

Integrall: É preciso despistar?

Cristina Roriz: Exatamente, é preciso fazer um diagnóstico diferencial e também, exames de diagnóstico complementares, como uma ecografia ginecológica.

“No início, a ajuda pode passar, simplesmente, por diminuir a inflamação ou suplementar, pontualmente, vitaminas e minerais, insistir num sono de qualidade, na prática de exercício físico, na correção da alimentação”

Integrall: Depois do diagnóstico, que tipo de ajuda é dada?

Cristina Roriz: No início, a ajuda pode passar, simplesmente, por diminuir a inflamação ou suplementar, pontualmente, vitaminas e minerais, insistir num sono de qualidade, na prática de exercício físico, na correção da alimentação, portanto, nas alterações do estilo de vida, que, hoje em dia, podem ser clichés, mas, na verdade, são a base. A terapia de reposição normal significa mesmo dar hormonas, ou seja, ela já é a cereja no topo do bolo de alguém que já corrigiu a alimentação e já está a treinar.

Na perimenopausa, devem evitar-se “por serem inflamatórios, o glúten, os laticínios,  o álcool, o açúcar e os alimentos processados (…) É pensar naquela máxima: ‘desembalar menos e descascar mais’”

 Integrall: Quais são os alimentos a evitar na perimenopausa?

Cristina Roriz: Por serem inflamatórios, deve-se evitar o glúten, os laticínios,  o álcool, o açúcar e os alimentos processados. É pensar naquela máxima: “desembalar menos e descascar mais” e comer, cada vez mais, orgânico ou, pelo menos, minimizar os pesticidas e também, os xenoestrogénios, como os aromas, as fragrâncias, as velas, os ambientadores, que são tudo aquilo que depois, entra no nosso corpo – já não é só o plástico -, tudo aquilo a que estamos expostos e que vai interferir na performance do nosso corpo em temos hormonais. Porque é que se chamam xenoestrogénios? Porque eles fazem com que a mulher esteja em predominância estrogénia, ou seja, eles fomentam  a formação e imitam muitas vezes  os estrogénios, levando a um desequilíbrio hormonal.

“A grande maioria dos sintomas, sendo hormonais, são (quase) completamente reversíveis, mas a libido é a última a ressuscitar”

Integrall: Uma mulher que siga as recomendações, consegue, por exemplo, recuperar a libido ou deixar de ter dores no ato sexual na perimenopausa?

Cristina Roriz: A grande maioria dos sintomas, sendo hormonais, são (quase) completamente reversíveis, mas a libido é a última a ressuscitar. Acontece, às vezes, que da segunda para a terceira consulta  – porque a primeira é uma avaliação extensa – alguém me diz que libido já está ótima. De resto, o sono, o cansaço, o aumento do peso são sintomas que, depois de suplementar as carências, mudar o estilo de vida e os hábitos alimentares, são reversíveis e permitem à mulher recuperar a sua qualidade de vida com alegria.

“As hormonas não atuam de forma isolada, existindo numa cascata hierárquica onde cada precursora dá origem à seguinte (…) Compreender esta cascata é fundamental para entender porque é que o equilíbrio global importa mais do que qualquer hormona isolada”

Integrall: Embora o estrogénio e a progesterona sejam as principais hormonas envolvidas, existem outras que também desempenham um papel importante, como a testosterona…

Cristina Roriz: O que se fala, maioritariamente, é do estrogénio e da progesterona, que são hormonas mais fundamentais. O estrogénio é aquela hormona feminina – nós queremos as mulheres femininas e não muito andrógenas-; a progesterona é a hormona do bem-estar, ou seja, a que tira a ansiedade, a irritabilidade, a oscilação do humor e induz o relaxamento. Aliás, é aquela que aumenta imenso na gravidez, porque é suposto a grávida estar zen (calma) a gerar um bebé – por isso, é que se chama progesterona: para gestação. Além disso, falamos muito em predominância estrogénica. Quando a mulher entra na perimenopausa, a progesterona é a primeira a cair, na grande maioria das pessoas, que, continuam com uma produção pequena de estrogénio. Assim, o problema não é o excesso de estrogénio, porque, na verdade, ele não existe em excesso; o que acontece é que, comparativamente, com a progesterona, o estrogénio está em predominância porque a progesterona baixou. Então, é este equilíbrio que temos que repôr em níveis ótimos. Para responder à tua pergunta, não são só estas duas hormonas que andam nesta “brincadeira”, pois elas não atuam de forma isolada, existindo, antes, numa cascata hierárquica onde cada precursora dá origem à seguinte. Compreender esta cascata é fundamental para entender porque é que o equilíbrio global importa mais do que qualquer hormona isolada. Todas as nossas hormonas são feitas a partir daquele que é considerado o grande vilão da medicina – o colesterol LDL -, mas que, na verdade, não é nenhum vilão, é um disparate chamarem-lhe mau colesterol; efetivamente, ele é o anel esteróide que vai criar as cascatas de formação de hormonas estreóides. O (colesterol) LDL entra nas células do ovário e dá pregnenolona, que é a hormona da função cognitiva – memória, raciocínio mental e foco-, a seguir, vem a progesterona, depois, temos o DHEA, que é o percursor do estradiol e da testosterona – sempre muito associada ao músculo e à força, mas que, também, está associada ao cansaço, à vitalidade e à cognição.

A médica Cristina Roriz fez uma Pós-Graduação sobre Terapia de Reposição Hormonal com o clínico brasileiro, Lair Ribeiro/DR

Integrall: Há muitas variáveis…

Cristina Roriz: Não se consegue interpretar uma análise sozinha; as análises têm sempre que ser interpretadas em um conjunto.

 “Há muitos sintomas silenciosos na menopausa, como o aumento do risco cardiovascular, do risco de demência e de fraturas ósseas”

 Integrall: Há sintomas escondidos na menopausa?

Cristina Roriz: Sim, ao entrar na menopausa o risco cardiovascular não se sente, o aumento de demência não se sente, a fratura osteoporótica só se vai sentir muito mais tarde, quando uma queda aos 70 anos, em vez de ser um hematoma, vai ser uma fratura do colo do fémur, o síndrome geniturinário é uma das queixas que muitas mulheres têm e que nem associam à menopausa

e, portanto há, de facto, muitos sintomas silenciosos. Por exemplo, uma curiosidade é que, durante a maior parte da vida, o homem tem um risco cardiovascular muito mais alto do que a mulher, mas, depois, quando ela entra em menopausa, duplicam esse risco relativamente aos homens.

“Podemos começar por pequenos ajustes e fazer modulação hormonal, antes  de avançarmos para a terapia de reposição hormonal, que é dar hormonas quando elas já faltam”

Integrall: Existem várias opções de tratamento disponíveis para gerir os sintomas da menopausa?

Cristina Roriz: Sim, podemos começar por pequenos ajustes e fazer modulação hormonal, antes de avançarmos para a terapia de reposição hormonal, que é dar hormonas quando elas já faltam.

Integrall: Terapia de reposição hormonal não é sinónimo de modulação hormonal?

Cristina Roriz: Não necessariamente.

Integrall: Qual é a diferença entre elas?

Cristina Roriz: A modulação hormonal pode passar por mudanças de estilo de vida, de alimentação, priorizar o sono, suplementação quando necessária, tirar a inflamação, tirar os xenoestrogénios, tirar todos os tóxicos. Porque se chama modulação hormonal? Porque, ao otimizar o nosso corpo, nós estamos a otimizar o nosso funcionamento hormonal.

A teoria de reposição hormonal é utilizada quando já não se consegue dar ao corpo a(s) hormona(s) que o ovário deixou de produzir, por exemplo, se só falta a progesterona, só damos a progesterona.

“A medicina dá longevidade, mas, qualidade de vida, cada um trata da sua”

Integrall: É dar o que o corpo precisa?

Cristina Roriz: Sim, em doses fisiológicas. Não é voltar a ter bebés, não é voltar aos 20 anos. Ninguém promete anti-aging (antienvelhecimento), o anti-aging é uma falácia; quando muito prometemos um healthy aging (envelhecimento saudável), porque a medicina dá longevidade, mas, qualidade de vida, cada um trata da sua e é aí que nós temos que apostar.

“A medicina dá longevidade, mas, qualidade de vida, cada um trata da sua e é aí que nós temos que apostar”

Integrall: A terapia de reposição hormonal consiste em usar hormonas bioidênticas?

Cristina Roriz: Sim, quando fazemos terapia de reposição hormonal, dentro da modulação, usamos hormonas bioidênticas.

Integrall: Hormonas bioidênticas são moléculas quimicamente idênticas às que o corpo produzia naturalmente?

Cristina Roriz: Sim.

Integrall: Como é a composição das hormonas bioidênticas?

 Cristina Roriz: São hormonas quimicamente e molecularmente, exatamente iguais às que nós temos no nosso corpo. Uma maneira de distinguir se é uma hormona bioidêntica ou não é que, na bioidêntica, o rótulo diz progesterona, não diz um nome parecido, ou seja, o nome da hormona, é o nome do rótulo.

“As hormonas bioidênticas são todas feitas em laboratório, mas são feitas para serem iguaizinhas às anteriormente produzidas pelo nosso ovário, ou seja, são hormonas que o corpo vai  saber assimilar, metabolizar e excretar”

Integrall: As hormonas bioidênticas são naturais ou químicos?

Cristina Roriz: São todas feitas em laboratório, portanto, são feitas quimicamente, mas são feitas para serem iguaizinhas às anteriormente produzidas pelo nosso ovário, ou seja, são hormonas que o corpo vai saber assimilar, metabolizar e excretar.

Integrall: Onde se compram as hormonas bioidênticas?

Cristina Roriz: Elas existem no Serviço Nacional de Saúde (SNS), simplesmente, a absorção das doses disponíveis não é a mais adequada e por isso, eu costumo mandar manipular, exceto a progesterona e o estradiol, que têm imensa qualidade.

Imagem cedida pela médica Cristina Roriz

Integrall: Qual é o risco de não se tratar a menopausa?

Cristina Roriz: O risco de não tratar a menopausa é desenvolver todos os sintomas e não estarem tratados. O aumento do risco cardiovascular não se sente até se ter um enfarte ou um AVC, o risco de ter osteoporose não se sente -ou se mede ou não temos como como aferir -, o risco de demência pode ser prevenido, se se atuar – é o cúmulo da medicina preventiva ou se age preventivamente porque sabemos que a terapia de reposição hormonal com bioidênticas previne certo tipo de patologias ou então, a pessoa tem uma atitude mais passiva, deixa andar e depois, corre atrás do prejuízo.
Todas as mulheres vão ter síndrome geniturinário, atrofia das mucosas, atrofia da vulva, infeções urinárias de repetição, aumento do risco cardiovascular, aumento do risco da osteoporose, aumento do risco de demência se a menopausa não for tratada.

 

A médica defende o tratamento da perimenopausa com hormonas bioidênticas/DR

Integrall: Houve uma polémica em torno da reposição hormonal, que chegou a ser desaconselhada devido à publicação do estudo Women’s Health Initiative (WHI), de 2002, que relatava um aumento no risco cardiovascular e de cancro da mama, mas esse estudo continha erros…

Cristina Roriz: Exatamente. Esse estudo foi programado para durar cinco anos e só durou um ano e meio porque foi interrompido. Em vez de ser publicado em artigo científico, foi interrompido e dado a conhecer em conferência de imprensa, como um escândalo e nessa pesquisa, associaram as hormonas ao aumento de risco cardiovascular e ao cancro, mas, quando vamos a vê-lo ao pormenor, a média de idades das pessoas era de 64 anos. Dessas, 70 por cento fumavam, 50 por cento eram obesas, e as hormonas usadas na pesquisa não eram bioidênticas, ou seja, o estudo tinha um viés no tipo de hormonas usadas, tinha um viés da via de administração – porque há vários -, tinha um viés da idade média e além disso, analisou diabéticos, hipertensos, obesos e fumadores, portanto, fazer a transferência desses dados para a população mais jovem, em perimenopausa e menopausa, diz-nos muito pouco.

Aliás, na verdade, o estudo até conclui que as hormonas são protetoras em relação ao cancro, mas o facto é que os primeiros dados que vieram a público foram alarmantes. Então, nós sabemos que cerca 80 por cento das pessoas que faziam terapia de reposição hormonal abandonaram-na completamente e durante 23 anos sofreram os sintomas. Foram precisos mais de duas décadas para a FDA – agência reguladora do medicamento dos Estados Unidos -,vir a público, em 2025, assumir que o estudo estava mal feito, anunciando, inclusive, a remoção de todos os produtos de terapia hormonal (TH) para a menopausa do “Black Box Warning” – o aviso mais severo que existe.

Integrall: A FDA concluiu que, afinal, esses riscos não existiam?

Cristina Roriz: A FDA concluiu que as hormonas não dão cancro, não dão risco cardiovascular nem de demência e portanto, em fevereiro de 2026, começou a mudar as bulas da medicação da terapia de reposição hormonal bioidêntica, aprovando, formalmente, as alterações de rotulagem para seis produtos de TH.

“Infelizmente, aposta-se menos e investe-se menos em tudo o que é de medicina preventiva”

Integrall:Porque é que demoraram tantos anos a chegar a essas conclusões?

Cristina Roriz: Foram precisos mais de 30 estudos observacionais ao longo do tempo para se perceber que, afinal, a terapia de reposição hormonal pode ser preventiva numa série de doenças, mas, infelizmente, aposta-se menos e investe-se menos em tudo o que é medicina preventiva porque a indústria farmacêutica também lucra menos.

Integrall: Quer dizer que, 23 anos depois, a terapia hormonal é novamente recomendada?

 Cristina Roriz: Já se sabia, muito antes disso, que a terapia hormonal com bioidênticas era recomendada. Eu própria trabalho com hormonas desde antes de 2025. Se eu sou irresponsável? Gosto de acreditar que não. O que é que eu fiz? Fui estudar por mim porque eu trabalhava num centro de Sáude a fazer consultas de dez e de 15 minutos, a tentar tapar buracos e dei por mim a pensar que não estava a ajudar muito as pessoas, eu não queria acreditar que (a medicina) fosse só aquilo. Então, comecei a estudar aquilo que agora se conhece, em Portugal, como medicina funcional, microbiota, genética, epigenética e fui parar a este mundo fantástico das hormonas – há muita formação de qualidade em Modulação Hormonal.

Integrall: Com quem aprendeste?

Cristina Roriz: Fiz uma Pós-Graduação sobre Terapia de Reposição Hormonal, em S. Paulo, com o médico brasileiro, Lair Ribeiro, fiz o curso de Modulação Hormonal com os médicos Rodrigo Ayoub e Ivone Mirpuri, em Portugal, ambos referências na área e faz-me sentido ver a Medicina na sua perspectiva – tenho muito mais abrangência e muito melhores resultados fazendo Medicina de maneira que faço agora do que há uns anos.

Integrall: Em que situações é que a terapia hormonal é contraindicada?

Cristina Roriz: Gravidez, cancro da mama ativo ou recente – há menos de seis meses – não tratado, cancro do endométrio ativo, doença hepática grave ativa, hemorragia vaginal não diagnosticada, AVC ou enfarte recentes – há menos de seis meses -, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, trombofilia hereditária, porfiria e meningioma.

Integrall: Ao fim de quanto tempo é que uma mulher começa a sentir os benefícios do tratamento?

Cristina Roriz: Depende de mulher para mulher, mas há sintomas que desaparacem rapidamente, como os afrontamentos, a ansiedade, a irritabilidade, a secura vaginal e o sono estabiliza. Há sintomas que se resolvem num mês e outros, em três meses. Também é preciso perceber que, se a mulher já estiver efetivamente na menopausa, é mais fácil eliminar os sintomas porque é uma fase mais estável do que na perimenopausa, em que há muita instabilidade.
No entanto, é preciso sublinhar que, tendo em conta a esperança média de vida, que é de 83,96 anos para as mulheres, a terapia de reposição hormonal é para ser ponderada, no início e depois, para ser mantida – não é dar o mínimo possível; é dar o suficiente para a pessoa estar bem.

Integrall: Terapia de reposição hormonal aliada aos cinco pilares da medicina anti envelhecimento?

Cristina Roriz: Sim, exercício físico, alimentação saudável, sono reparador, suplementação e o quinto pilar será, então, a reposição hormonal, se necessária.

“O que eu aprendi sobre o menopausa na faculdade, durante seis anos, foi: ‘simplesmente e lentamente os nosso ovários deixam de funcionar.’”

 Integrall: Os médicos prescrevem, habitualmente, hormonas bioidênticas ou não estão familiarizados com elas?

Cristina Roriz: Eu gostaria de acreditar que sim, mas o que eu aprendi sobre o menopausa na faculdade, durante seis anos, foi: “simplesmente e lentamente os nosso ovários deixam de funcionar”.

 “A perimenopausa é considerada a ´zona de caos’, é imprevisível, é como andar numa montanha russa, mas com os olhos vendados”

Integrall: Só aprendeste isso em seis anos de faculdade?

Cristina Roriz: Exato e não podia ser mais mentira, porque os nossos ovários não deixam de funcionar lentamente, eles vão sempre tentando, estão em modo de sobrevivência, aliás, por isso é que se chama à perimenopausa “a zona do caos” – teoria avançada por uma obstetra norte-americana. Se eu te mostrar um gráfico hormonal dessa fase de vida, é uma barafunda. Se até ali, era tudo previsível, a perimenopausa é imprevisível, é como andar numa montanha russa, mas com os olhos vendados.

Integrall: Há resistência em prescrever a terapia de reposição hormonal?

Cristina Roriz: Chegámos a um ponto da sociedade em que nós aceitamos polimedicar as pessoas sem reservas, mas, quando é para melhorar o estilo de vida, suplementar ou para fazer hormonas, aí já surgem os mitos todos. A pessoa tem tensão alta, dá-se-lhe anti-hipertensivos, tem dores articulares, dá-se-lhe anti-inflamatório, tem colesterol alto, dá-se-lhe estatina, tem depressão, dá-se-lhe anti-depressivo, tem ansiedade, dá-se-lhe ansiolítico, ou seja, vai-se polimedicando numa espiral descendente a qualidade de vida daquela pessoa, mas, se calhar, pedindo um perfil hormonal, descobre-se que, afinal, a senhora não está irritada, não tem ansiedade, não está depressiva, não tem dores articulares, tem falta de hormonas. Em suma, as mulheres não estão chatas, elas têm é falta de hormonas.

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Tags: Cristina Rorizhormonas bioidênticasmédica Cristina RorizMenopausamodulação hormonalPerimenopausaterapia de reposição hormonal

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