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    Bablu Mondal e a esposa, Mafalda, abriram, há 18 anos, o restaurante vegetariano Sabor Superior, em Algés/DR

    Sabor Superior: “A comida vegana ajuda a equilibrar corpo e mente”

    DR

    “As mulheres não estão chatas, elas têm é falta de hormonas”

    Isa Silvestre tem uma clínica de psicologia em Lisboa/DR

    Recomeçar sem transformar o regresso numa nova exigência

    Foto do médico Carlos Veiga publicada no seu site de Coerência Bioemocional/DR

    “Lembro-me da sensação de morrer. Era muito agradável.”  

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Início Bem-Estar

Edite Amorim: A psicóloga que leva humanização às empresas

por Sandra Xavier
Novembro 5, 2026
em Bem-Estar, Desenvolvimento Pessoal
A psicóloga Edite Amorim leva a Psicologia Positiva às empresas /DR

A psicóloga Edite Amorim leva a Psicologia Positiva às empresas /DR

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Depois de dois anos a exercer Psicologia Clínica, descobriu a Psicologia Positiva e uma “nega” para fazer um doutoramento na área, levou-a a criar, há 15 anos, o projeto THINKING-BIG. Com mestrado em Análise e Condução de Grupos, pela faculdade de Psicologia de Barcelona, Edite Amorim dedica-se a criar pontes entre pessoas e ideias, através de dinâmicas de grupo e ferramentas criativas, em empresas nacionais e internacionais. Em entrevista ao Integrall, a também professora universitária explicou a importância de questionar, ao longo da vida, guiões de vida, profissionais, guiões e de performance.

Integrall: Começaste a exercer Psicologia assim que terminaste a licenciatura?

Edite Amorim: Sim, durante dois anos fiz Psicologia Clínica, entre outras coisas e ao mesmo tempo estava a desenvolver o projeto de “Jogos de Corpo e Voz”, que procurava fomentar nas crianças com quem trabalhava e que foi uma atividade pioneira.

“O projeto ‘Jogos de Corpo e Voz’  procurava fomentar o melhor das crianças: a criatividade, a boa percepção sobre o corpo, o companheirismo o trabalho da equipa, autonomia”

Integrall: Esse projeto consistia em quê?

Edite Amorim: Era um projeto que procurava fomentar o melhor que havia nas crianças: a criatividade, a boa percepção sobre o corpo, o companheirismo o trabalho da equipa, autonomia. Foi um projeto que criei e para o qual convidei uma colega de trabalho e amiga e durante sete anos, levámo-lo a várias escolas, com a ideia de uma atividade extracurricular que desenvolvesse o melhor das crianças.

Integrall: Do projeto “Jogos de Corpo e Voz” surgiu a Thinking Big?

Edite Amorim: Exato.

“Disse-me que eu não tinha perfil para fazer doutoramento, que era uma pessoa de pessoas e que seria um desperdício eu enfiar-me num gabinete a fazer investigação, sugerindo-me continuar com a prática”

Há 15 anos que Edite Amorim criou a Thinking Big/DR

Integrall: Em que momento é que decidiste criar a Thinking Big?

Edite Amorim: Eu acho que os “Jogos de Corpo e Voz” me deram este lado de empreendedora, esta capacidade de fazer acontecer e de criar ideias, com base científica e ao mesmo tempo, uma coisa muito prática de levá-lo ao terreno. Portanto, eu acho que os “Jogos de Corpo e Voz” me deram a estaleca de criar um projeto e levá-lo a cabo. Ao fim de sete anos a percorrer várias zonas de Portugal e até a nível internacional, sempre em parceria com a minha amiga Bianca Varandas, descobri a Psicologia Positiva, enquanto corpo de conhecimento formal – na verdade, eu já estava a fazer intervenção com Psicologia Positiva sem saber que tinha um corpo formal, pois na faculdade não estudávamos esta área. Quando descobri que havia uma área formal, que dava corpo teórico a toda a prática que eu já tinha vindo a desenvolver com os “Jogos de Corpo e Voz”, fui estudar mais e percebi que havia um doutoramento nos Estados Unidos, falei com o responsável para ver se teria o perfil – eu era uma jovem de 30 anos – e ele disse-me que eu não tinha perfil para fazer doutoramento, que era uma pessoa de pessoas e que seria um desperdício eu enfiar-me num gabinete a fazer investigação, sugerindo-me continuar com a prática. Como eu não tinha plano B, acabei por criá-lo: dei uns workshops, em Colorado, nos Estados Unidos, com uma amiga americana e entretanto, passei a trabalhar mais no mundo corporativo e foi quando criei a Thinking Big, que dura há 15 anos.

Integrall: A Thinking Big é o resultado entre a investigação na área da Psicologia Positiva e a prática contínua com profissionais diárias com a expressão corporal, dança, comunicação e criatividade. Por que é que tu decidiste juntar isto tudo?

Edite Amorim: Eu acho que foi uma ligação muito óbvia entre as áreas em que eu sempre me movi, a Psicologia e o interesse pela expressão artística, não tanto pela parte performativa que a arte me traz, mas pela parte expressiva.

Integrall: Portanto, a Thinking Big integra Psicologia e criatividade, através do workshops, conferências, mentorias nacionais e internacionais…

Edite Amorim: Sim.

Integrall: A Psicologia Positiva é o núcleo?

Edite Amorim: Sim.

“A Psicologia Positiva é uma parte (da Psicologia) que se dedica ao estudo do que permite que os humanos, as sociedades possam florescer”

Integrall: Em que é que a Psicologia Positiva se distingue da Psicologia?

Edite Amorim: Na verdade, não se distingue, ela é só um marco conceptual dentro do que é Psicologia: o estudo do comportamento animal e humano. A Psicologia Positiva é só uma parte, que se dedica ao estudo do que permite que os humanos, as sociedades possam florescer. Portanto, a Psicologia investiga ou atua nas depressões, na ansiedade, no luto, nos processos essenciais de vida, na capacidade de chegar ao melhor de nós próprios e a Psicologia Positiva é a parte da Psicologia que estuda esse parte do nosso comportamento.

Edite Amorim aposta no trabalho de criatividade/DR

“Trabalho muito com artistas, bailarinos ou fotógrafos, nomeadamente, no desbloqueio de questões ligadas à criatividade e à integração do bem-estar na criatividade”

Integrall: Trabalhas só com empresas ou também com particulares?

Edite Amorim: O meu target é muito variado: 80 por cento é com empresas, mas também trabalho muito no mundo da Educação – vou imensas vezes a contextos educativos e sou professora convidada em mestrados de três instituições, onde dou Psicologia Positiva Aplicada ou Criatividade, que são as minhas duas áreas fortes. Além disso, trabalho muito com artistas, bailarinos ou fotógrafos, nomeadamente, no desbloqueio de questões ligadas à criatividade e à integração do bem-estar na criatividade. Ao nível individual, faço mentorias.

Integrall: A nível corporativo, trabalhas com empresas nacionais e internacionais?

Edite Amorim: Sim.

“Fujo da ideia de catálogo (…) cada pessoa é uma pessoa e cada empresa é uma empresa. Eu adapto o trabalho sempre ao grupo com quem estou.”

Integrall: Tens workshops à medida?

Edite Amorim: Eu não tenho propriamente um catálogo, aliás, fujo dessa ideia. Contudo, há temas que eu trabalho dentro da Psicologia Positiva, como liderança, trabalho de equipa, conhecer-se melhor para se relacionar melhor, bem-estar e saúde mental, expressividade e as empresas sabem que esta é a carteira onde deu o movo, é disto que eu sei falar. Depois, uso a ferramenta de personal storytelling para ilustrar estes conceitos. Então, quando me contratam, não contratam uma formação escolhida de um catálogo, contratam a Edite Amorim, que lhes vai falar sobre um destes temas, porque cada pessoa é uma pessoa e cada empresa é uma empresa. Eu adapto o trabalho sempre ao grupo com quem estou. A minha formação de mestrado é “Análise e condução de grupos”: a minha área de experiência é gerir grupos, eu sei ler a energia de uma sala e ir ao encontro das necessidades concretas, dos perfis das pessoas, do momento em que elas estão. Portanto, quando estou perante um grupo, desenvolvo o que aquele grupo precisa naquele.

Os workhops da psicóloga são adaptados às necessidades das empresas/DR

Integrall: Quanto tempo é que dura em média cada workshop?

Edite Amorim: É sempre tudo acordado com a empresa, depende do contexto e do objetivo.

Integrall: Que tipo de empresas é te procuram?

Edite Amorim:  Eu diria que, por hábito, há um tipo de empresas que não me procuram: as extremamente formais, que procuram profissionais formais. Nessas, eu definitivamente não encaixo. No entanto, tenho tido surpresas muito engraçadas com empresas que, sendo formais, como por exemplo, o BPI, a Continental, a Michelin, que me procuram precisamente pelo meu perfil informal e isso, para mim, é muito bonito. De resto, procuram-me microempresas, que querem união entre os trabalhadores e alinhar a visão estratégica,  empresas médias, que querem desenvolver ferramentas criativas ou macro empresas, que têm imensos profissionais e querem formá-los em certas áreas. Portanto, não há um modelo, nem um padrão.

“É fundamental fazer escolhas de vida que nos encaixem até do ponto de vista de saúde”

Integrall: Qual é a importância deste tipo de trabalho com as empresas e com os trabalhadores?

Edite Amorim: Eu acho que, por um lado, é levar humanidade e humanização às estruturas e por outro, questionar guiões de vida, guiões profissionais, guiões relacionais e até de performance. Isso é de uma relevância enorme, eu acho que devíamos todos passar por aí, eu própria o faço muito por isso, porque também estou sempre em constante formação – é fundamental fazer escolhas de vida que nos encaixem até do ponto de vista de saúde. Portanto, no fundo, ajudo as pessoas e as empresas a terem tipos de vida mais conscientes e mais encaixados no que lhes pode fazer bem – isto é válido  quer para uma empresa quer para a sociedade em que estamos inevitavelmente inseridos.

“Conhecer melhor é comunicar melhor”

Integrall: Que benefícios é que as pessoas conseguem no fim do trabalho contigo?

Edite Amorim: Quando são trabalhos grupais, fico a conhecer muito melhor as pessoas, não desde um ponto de vista formal, mas porque conhecer melhor é comunicar melhor: saber o que devo ou não fazer, o que é que as entusiasma, quais são as condicionantes em que elas estão a navegar. Por outro lado, as pessoas ficam a conhecer-se melhor umas às outras. Recentemente, tive uma diretora de uma escola espanhola, que me dizia nunca tinha reparado que tinha o problema de não saber parar, nem o que tinha que fazer quando parasse. Portanto, estas são questões que me interessam muito.

“As pessoas perceberam que tinham mais opções na vida e que passaram a refletir nessa abertura de possibilidades (…) No fundo, ajudo as pessoas a questionarem os seus óbvios e a tomarem decisões mais de acordo com elas próprias e com o que necessitam”

Edite Amorim num dos trabalhos com empresas/DR

Integrall: A mudanças significativas assististe nas pessoas com quem trabalhaste?

Edite Amorim: Uma muito concreta é as pessoas dizerem-me que perceberam que tinham mais opções na vida e que passaram a refletir nessa abertura de possibilidades.
A nível corporativo, acontece imenso as equipas passarem a relacionar-se de forma diferente: às vezes, há coisas simples quanto perceberem que a reunião daquela mini equipa de cinco ou seis pessoas não pode acontecer numa sala fechada, mas à volta da máquina de café, por exemplo. Então, às vezes, são mudanças comportamentais muito subtis que, depois, refletem práticas de trabalho e práticas pessoais  realmente transformadoras. No fundo, é ajudar as pessoas a questionarem os seus óbvios e a tomarem decisões mais de acordo com elas próprias e com o que necessitam: podem ser coisas simples, por exemplo, uma pessoa que me disse que sair mais tempo para a natureza a recalibrou e aumentou a sua percepção de saúde, a sua capacidade de dormir, de descansar e relacionar-se, outra disse-me que não se tinha dado conta de que, realmente, precisava de ouvir melhor ou mais os seus colegas ou, ainda, outra que me disse que começou a ir a pé para casa para poder ter tempo para pensar e processar o dia e assim, deixar o dia de trabalho na empresa.

“Primeiro, é lembrá-las de que  florescer é possível, que é uma opção – há muitas pessoas que nem sequer se questionam sobre se isso ou para quem isso não é sequer uma hipótese”

Integrall: Como é que se faz florescer as pessoas?

Edite Amorim: Eu acho que, sobretudo, primeiro, é lembrá-las de que  florescer é possível, que é uma opção – há muitas pessoas que nem sequer se questionam sobre se isso ou para quem isso não é sequer uma hipótese. Em segundo lugar,  é mostrar-lhes alguns caminhos, algumas vias que podem explorar: os cuidados do corpo, como é que podem relacionar-se com quem está à sua volta, com os seus vizinhos, com os seus colegas de trabalho, com a sociedade, com o seu bairro – já muda muita coisa.

“O meu presente é muito presente, muito vivido, muito ancorado, tenho zero capacidade para promover coisas de futuro”

Integrall: Depois de 15 anos de Thinking Big, o que é que se segue?

Edite Amorim: Eu não tenho planos para futuro, a nível de nada. O meu presente é muito presente, muito vivido, muito ancorado, tenho zero capacidade para promover coisas de futuro. Vivo demasiado impregnada de presente e portanto, não não sei o que é que segue. Eu consigo imaginar mais 15 anos na minha vida. Consigo, sim, imaginar-me ser absorvida por um coletivo que anda a fazer a mudança na sociedade, consigo imaginar-me a mudar de país e a ir trabalhar para uma agência de criatividade com gente de 20 anos. Na verdade, eu acho que não faço planos porque, como dizia o Agostinho da Silva, “não faças planos para vida para não importunar os planos que a vida possa ter para ti”.

Tags: Análise e Condução de GruposEdite AmorimPsicologia PositivaThinking Big

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Contacto: integrall.geral@gmail.com

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