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    “As mulheres não estão chatas, elas têm é falta de hormonas”

    Isa Silvestre tem uma clínica de psicologia em Lisboa/DR

    Recomeçar sem transformar o regresso numa nova exigência

    Foto do médico Carlos Veiga publicada no seu site de Coerência Bioemocional/DR

    “Lembro-me da sensação de morrer. Era muito agradável.”  

    Manu Aurindo criou a marca Cosmética Natural/DR

    Naturalmente Cosmética Natural: “É nas dores que nascem projetos bonitos”

    “O corpo contém toda a verdade”

    Cláudia Barros dedica-se a desmistificar a menopausa junto das mulheres/DR

    Menopausa: “É o resto da minha vida”

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    Recomeçar sem transformar o regresso numa nova exigência

    Foto do médico Carlos Veiga publicada no seu site de Coerência Bioemocional/DR

    “Lembro-me da sensação de morrer. Era muito agradável.”  

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Início Bem-Estar

Acorda Portugal: “Queremos fazer uma revolução interior dentro de cada um”

por Sandra Xavier
Outubro 1, 2026
em Bem-Estar, Desenvolvimento Pessoal
Gustavo Santos fundou a "Associação Acorda Portugal"/Créditos: Paulo Castro

Gustavo Santos fundou a "Associação Acorda Portugal"/Créditos: Paulo Castro

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Depois do “Movimento Acorda“, a 15 de março de 2025,  em abril deste ano, nasceu a “Associação Movimento Acorda” (A.M.A), um movimento humanitário, apartidário, não religioso, sem fins lucrativos, que tem como missão a valorização do amor próprio. Ambos fundados por Gustavo Santos, prometem um despertar interior e uma tomada de consciência.
O próximo encontro conta com a presenta de médicos, enfermeiros e outros profissionais com “uma visão humana da saúde” e está marcado para
10 de outubro, no CNEMA, em Santarém. São esperadas 800 pessoas.

O “Movimento Acorda Portugal” propõe um olhar interior e uma tomada de consciência/Créditos:Paulo Castro

Integrall: Em que momento da tua carreira  diversificada é que decidiste mudar de vida?

Gustavo Santos: A história da minha vida é uma história de mudança, não foi uma coisa que me tenha acontecido só agora, com a passagem da televisão para o “Movimento Acorda”, já aconteceu há muito tempo. Frequentei a Universidade Lusófona e desisti do curso superior a meio do quinto ano da faculdade, estava já no estágio, a dar aulas, curiosamente, na escola onde fiz o 12º ano.

Integrall: Estavas a dar aulas de Educação Física?

Gustavo Santos: Exatamente, era o ano de estágio – desisti a meio do 5º ano, porque quis seguir o meu sonho, que era ser bailarino profissional. Portanto, desde essa altura que toda a minha vida é mudança. Entretanto, também tive que largar a dança por lesões no corpo, devido ao breakdance, que é uma arte, extremamente, exigente. A partir daí, mudei para a representação e fiz televisão durante muitos anos: fiz muitas novelas, séries, peças de teatro, muita coisa. Quando saí do programa “Querido, mudei a casa”, fui viver para o Alentejo, num monte – um lugar paradisíaco e surgiu esta hipótese extraordinária – foi algo muito importante que me caiu à frente, na vida  – esta oportunidade de levar o “Movimento Acorda” para frente.

Integrall: Indo um pouco mais atrás, depois de colocares um ponto final na carreira televisiva, decidiste dedicar-se exclusivamente à escrita de livros sobre amor-próprio?

Gustavo Santos: Não, eu já escrevia antes de começar a dançar; tenho uma série de livros publicados – penso que 16 -, não faço ideia.

“Amor-próprio, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, intervenção social e cívica são os temas mais importantes para qualquer ser humano (…) a pessoa ser capaz de se descobrir, de perceber quem é (…) que não tem que se encaixar, que não tem que permitir que a formatem, cada um tem o direito a ser quem é na sua essência”

Integrall: Porquê livros sobre amor-próprio, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, intervenção social e cívica?

Gustavo Santos: Para já, são os temas mais importantes para qualquer ser humano: a pessoa ser capaz de se descobrir, de perceber quem é e que não tem que ser como os outros, que não tem que se encaixar, não tem que permitir que a formatem, cada um tem o direito a ser quem é, na sua essência, na sua verdade – há oito mil milhões de verdades no mundo, cada uma vive dentro de cada um – e sobretudo, porque eu sempre fui um homem insatisfeito, no sentido em que sou um bacano, sou uma boa pessoa, ajo através do meu coração, mas quero ser sempre melhor e ser melhor não é ter mais, nem é fazer mais, ser melhor é ser melhor, é ser mais, é ser uma melhor pessoa. Os meus livros chamam-se de autoajuda porque, alguns deles, eu escrevi-os para me ajudar a mim, escrevi-os para me ajudarem e enquanto os ia escrevendo, eu próprio ia acordando, ia despertando e ia percebendo os gatilhos e tendo acessos de consciência. Depois, como a minha vida é uma busca enorme e eterna de, enquanto aqui andar ser um homem cada vez melhor, uma alma cada vez mais evoluída, é sobre isso que me faz sentido escrever.

“Há oito mil milhões de verdades no mundo, cada uma vive dentro de cada um”

Integrall: Onde é que foste aprofundar os temas?

Gustavo Santos: Vêm minha experiência de vida, não sou um grande leitor, nunca me dediquei muito a ler livros, porque escrevo muito e por isso, vem tudo da minha experiência de vida, do meu lado destemido, da minha ousadia em arriscar viver, em querer ver o que está para lá daquilo que me é mostrado.

“Sempre tive a maior atenção de todas – esta é a melhor definição de saúde – em estar conectado àquela que é a minha verdade e respeitá-la e isso chama-se amor próprio”

Gustavo Santos sempre foi interessado pelo tema saúde e convida as pessoas a serem os seus próprios médicos/Créditos: Paulo Castro

Integrall: Quando é que surgiu o teu interesse pelo tema saúde?

Gustavo Santos: Sempre fui uma pessoa ligada à saúde, à minha saúde, sempre fiz exercício físico, nunca me deitei a altas horas – a não ser quando era puto e ia para discotecas -, sempre tive o hábito de me alimentar, convenientemente, de ter algum cuidado com o sono, com as pessoas que me rodeiam, porque sou eu que as escolho, sou eu que escolho quem está na minha vida, não são as pessoas que escolhem estar, sempre tive a maior atenção de todas – esta é a melhor definição de saúde – em estar conectado àquela que é a minha verdade e respeitá-la e isso chama-se amor próprio.

“Os médicos vão para a faculdade de Medicina, não para aprender sobre saúde, não para aprender a curar as pessoas, mas para aprender sobre doenças e a gerir sintomas, porque é isso que dá dinheiro à indústria (farmacêutica)”

Integrall: Não sendo médico, porque é que decidiste começar a falar de saúde?

Gustavo Santos: Porque os médicos não falam. Os médicos entram numa faculdade de Medicina, que foi desenhada para fazê-los prescrever – só assim é que a indústria (farmacêutica), que financia as faculdades, pode ter o seu investimento duplicado ou triplicado. Então, os médicos vão para a faculdade de Medicina, não para aprender sobre saúde, não para aprender a curar as pessoas, mas para aprender sobre doenças e a gerir sintomas, porque é isso que dá dinheiro à indústria.

“O que acontece é que a Ciência, que temos hoje, é uma enorme fonte de desinformação e é também, uma área altamente corrupta e nada transparente”

Gustavo Santos num dos encontros do “Movimento Acorda Portugal”/Créditos:Paulo Castro

Integrall: Como é que reages às acusações de que és alvo, por parte de médicos e investigadores, que consideram as tuas declarações contrárias ao consenso científico e te acusam de alimentar a desinformação em saúde e a disseminação de conteúdos pseudocientíficos?

Gustavo Santos: Levo isso na boa, na boa. Eu ainda não conheci ninguém que ponha em causa aquilo em que eu acredito e que, médico ou não, tenha mais saúde do que eu e portanto, para mim, de nada vale a Ciência quando temos uma amostra de 1000, 1.500, 2.000 ou 10 mil pessoas, mas eu não faço parte dessa amostra – eu sou um ser individual, sou diferente desses 2.000 ou desses 10 mil e por isso, um estudo científico, a mim, não me diz nada. A Ciência é o que eu sinto dentro do meu corpo, através das minhas escolhas e do que sinto que me faz bem. Se me fizer bem e a Ciência disser que me faz mal, eu não quero saber da Ciência, eu quero é saber se me faz bem e o que acontece é que a Ciência, que temos hoje, é uma enorme fonte de desinformação e é também, uma área altamente corrupta e nada transparente. Portanto, quando essas pessoas, que são doutrinadas para acreditar na Ciência, não põem em prática princípios de Saúde, não são exemplo para ninguém em termos de saúde e me vêm dizer que aquilo que, para mim, é saúde está errado, eu levo isso perfeitamente na boa, porque são pessoas que estão formatadas e a quem não dou muita atenção – “quando se dá demasiada atenção a um burro, ele fica a pensar que é um leão.“

“Longe de mim imaginar que as pessoas teriam todas que pensar como eu. Cada um tem o direito à sua própria verdade. O que acontece é que, o que foi feito com a verdade, foi adulterado e foi-lhe posto o nome de Ciência”

Integrall: Não tens receio das críticas?

Gustavo Santos: Não tenho receio nenhum. Acho que é perfeitamente natural. Longe de mim imaginar que as pessoas teriam todas que pensar como eu. Cada um tem o direito à sua própria verdade. O que acontece é que, o que foi feito com a verdade, foi adulterado e foi-lhe posto o nome de Ciência.

Gustavo Santos priveligia o contacto com a natureza/Créditos:Paulo Castro

Integrall: Não só não tens receio como expões a tua verdade nas redes sociais, onde és alvo de muitas críticas, em parte, pela forma como dizes as coisas. Como é que lidas com isso?

Gustavo Santos: Eu tenho uma ideia muito clara sobre isso: o que magoa, não é a forma como se dizem as coisas, não é se as dizemos aos gritos ou se as sussurramos, não é se as dizemos rápido ou devagar, o que magoa, mesmo, é a verdade. Isso é que magoa: é a verdade escorrer por feridas que as pessoas têm abertas e que escolheram não curar. É a verdade que é colocar-lhes um espelho à frente e verem o resultado das suas escolhas.

“Se as pessoas que me ouvem, estão num lugar de medo, acham que eu sou arrogante. Pessoas acordadas escolhem a verdade, o que faz uma grande diferença”

Integrall: O que dói não é quem toca na ferida, mas a própria é ferida que já se tem?

Gustavo Santos: Claro, obviamente. Não é a forma como eu falo. Se eu vivo numa sociedade onde a maior parte das pessoas vive com medo, eu percebo que o que elas querem é conforto e que, quando eu falo – fazendo eu parte dos um por cento desta sociedade que não têm medo -, se as pessoas que me ouvem, estão num lugar de medo e têm muitas feridas abertas, acham que eu sou arrogante. Pessoas acordadas escolhem a verdade, o que faz uma grande diferença.

“Eu nunca disse que a minha verdade é a verdade universal (…)O ‘Acorda’ é a pessoa acordar dentro dela e perceber que tem o direito de ser quem ela é, exatamente como ela é e pô-lo cá fora. Essa é a verdade”

Integrall: Mas a tua verdade não é a verdade universal…

Gustavo Santos: E eu nunca disse que era. Eu disse que a minha verdade é uma de oito mil milhões, só que eu não tenho medo de a pôr cá fora e é por isso que a “Associação Movimento Acorda” existe. O “Acorda” é para gerar uma revolução interior dentro de cada um. Isso é que é o “Acorda”: é a pessoa acordar dentro dela e perceber que tem o direito de ser quem ela é, exatamente como ela é e pô-lo cá fora. Essa é a verdade.

“As ameaças vêm de pessoas frágeis atrás de computadores ou de telemóveis porque, na rua, eu não tenho, nem nunca tive uma abordagem negativa”

Integrall: Escolheste pagar o “preço” quando te expões da forma como o fazes nas redes sociais, mesmo tendo recebido ameaças de morte?

Gustavo Santos: Sim, sim, todo o tipo de ameaças. As ameaças vêm de pessoas frágeis atrás de computadores ou de telemóveis, é daí que vêm as ameaças porque, na rua, eu não tenho, nem nunca tive – pela saúde dos meus filhos – uma abordagem negativa. Nunca. Todos os dias, mas, religiosamente, todos os dias, eu tenho pessoas a dizer “obrigado” por ser a nossa voz, “obrigado” por dizer coisas em que acreditamos, mas que não somos capazes de pôr cá fora, porque temos medo de represálias, de ser julgados, que nos chamem isto ou aquilo. Todos os dias isto acontece.

O “Movimento Acorda Portugal” já passou por inúmeras cidades/Créditos: Paulo Castro

Integrall: De onde é que vem a tua coragem?

Gustavo Santos: Vem de um espírito de missão enorme. Como eu disse, o “Acorda” não foi uma coisa planeada, agendada, foi algo que me foi posto à frente, eu não estava à procura de nada.

Integrall: Como é que surgiu o ” Movimento Acorda”?

Gustavo Santos: O “Movimento Acorda”, que posteriormente deu origem à “Associação Movimento Acorda”, da qual sou presidente e fundador, surgiu quando eu ia a conduzir, com o meu filho – íamos buscar comida- e de repente, num segundo, apareceu-me: “vais fazer isto, vai chama-se aquilo e vai ter este pilar”.

“Não há nada, nesta vida, que me faça desviar um centímetro da minha missão”

Integrall: Apareceu de onde? Foi uma intuição?

Gustavo Santos: Veio superiormente. Não há nada, nesta vida, que me faça desviar um centímetro da minha missão.

Integrall: Há quanto tempo é que surgiu a “Associação Movimento Acorda” (A.M.A)?

Gustavo Santos: A associação surgiu, em abril deste ano, é algo muito recente e já fomos alvo de investigações profundas por parte da imprensa.

Integrall: Surgiu com que objetivo?

Gustavo Santos: O objetivo é dar estrutura ao “Acorda Portugal”, em que um homem sozinho – eu – começa a marcar palestras gratuitas –  sempre foi assim – em todo o país, porque uma coisa é viver em Sintra e dar uma palestra, em Sintra ou em Lisboa, outra é marcar palestras em Guimarães, em Penafiel, no Porto, em Aveiro, em Coimbra ou em Leiria.

Integrall: As palestras e os encontros são de entrada livre porque defendes que“ninguém, por ter menos, pode deixar de ter acesso a mais”…

Gustavo Santos: Faz parte da informação que eu recebi.

Integrall: Mas é preciso as pessoas inscreverem-se?

Gustavo Santos: Não, só neste grande encontro de 10 de outubro, no CNEMA – Centro Nacional de Exposições -, em Santarém, é que é preciso fazer reserva porque há lugares limitados. As pessoas reservam o lugar com 20 euros e no próprio dia, devolvemos-lhes o dinheiro.

“Somos o país da União Europeia que mais consome anti depressivos. Somos o país da União Europeia com maior taxa de cancros em crianças e adolescentes até aos 15 anos. Estamos contentes com isto?”

 

Em abril de 2026, Gustavo Santos e outras oito pessoas fundaram a “Associação Acorda Portugal”/Créditos:Paulo Castro

Integrall: “A Associação Movimento Acorda” (A.M.A) é um movimento humanitário, apartidário, não religioso, sem fins lucrativos, que tem como missão a valorização do amor próprio?

Gustavo Santos: O amor próprio é o despertar interior. Se olharmos e pararmos para conversar, o nosso mundo nunca esteve tão mal como hoje na saúde, na política, mas nada é inócuo, não se passa nada. A educação é obsoleta, miserável. A religião só serve para controlar as pessoas e fazer os crentes acreditar que são inferiores em relação a uma força maior. Está tudo errado. Em nenhum momento de uma sociedade se olha para dentro da pessoa e se diz: “tu és poderosa, dentro de ti vive uma soberania de comandares a tua vida, sem dependeres de medicamentos, de regras nem de leis, de algo superior, de teres que fazer parte, de teres de te moldar, de teres de te deixar formatar para caber em algum lado. Tudo o que existe numa sociedade está errado, os principais pilares estão todos errados e é por isso, que nós temos a sociedade que temos: de pessoas sem poder pessoal, de pessoas que não sabem quem são, totalmente perdidas e é por isso, que somos o país da União Europeia que mais consome anti depressivos. O que é isto? Somos o país da União Europeia com maior taxa de cancros em crianças e adolescentes até aos 15 anos. O que é isto? Estamos contentes com isto? Ficamos contentes? A despesa corrente do Estado, em saúde, foi de 32 mil milhões de euros, em 2025, o que equivale a 10,4% do PIB, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), para além de ter gasto 4 mil milhões em medicamentos, no ano passado, o que é um novo recorde. Estamos contentes com isto? E porque é que isto acontece? Porque tudo o que existe aqui fora, em nenhum momento, aponta para dentro. O “Acorda” vai fazê-lo, essa é a revolução que queremos: levar as pessoas para dentro delas e quanto mais forem para dentro, maior será o despertar coletivo e depois de um despertar coletivo, que é a soma das individualidades, nós podemos ter um país diferente, mais saudável, mais soberano e mais livre. É por isso que nós estamos cá.

“A saúde é o nosso bem principal”

Integrall: Queres percorrer Portugal e todos os países de língua oficial portuguesa, levando consciência, palavras e afeto às pessoas?

Gustavo Santos: Essa é a ideia e dessa forma fortalecê-las com poder pessoal, confiança e espírito de união. O que nós fazemos, à volta do país, são encontros do “Movimento Acorda”, que são diferentes de um “Acorda Portugal”, que implica toda a logística e a organização de um evento gigante. O “Acorda Portugal” é um encontro onde o convido agentes, neste caso, da saúde, que é a primeira área onde estamos a intervir –  apesar de também termos a educação e a sociedade civil/ solidariedade -, começamos pela saúde, que é o nosso bem principal. Daqui a muito pouco tempo, vamos virar agulhas para a educação, vamos  por etapas.

O encontro do “Acorda Portugal” de 10 de outubro vai ter como oradores, médicos e enfermeiros com “uma visão humana da saúde”

No “Acorda Portugal” do próximo dia 10 de outubro, eu levo para cima do palco várias pessoas ligadas à saúde: três ou quatro médicos, uma enfermeira ligada à medicina integrativa – todos com uma visão humana da saúde, não uma com visão psicopática ou alopática, que também é importante, porque é extraordinária para cuidar de questões agudas. Se tens uma dor aguda, vais à medicina alopática, prescrevem-te um medicamento e a dor passa, não quer dizer que o problema passe.

Integrall:Trata o sintoma?

Gustavo Santos: A medicina alopática é ótima para tratar sintomas.

Integrall: Tu tomas medicamentos?

Gustavo Santos: Eu não me lembro da última vez que tomei medicamento. Se tiver que tomar, tomo, não sou masoquista. Se eu tiver um acidente – todos nós podemos ter -, cair e partir um braço, obviamente, que tenho que recorrer a um hospital para me tratarem, porque eu não sei pôr osso no sítio, não sei operar-me a mim próprio e se tiver que tomar medicação, é para isso que a medicina alopática serve. Agora, se eu tiver um conjunto de escolhas, que fazem com que eu desenvolva alguma questão dentro de mim e eu tiver um dor e tomar medicação para me aliviar, então, eu tenho que falar comigo para perceber a causa do que me está a acontecer.

Integrall: Não rejeitas a medicina?

Gustavo Santos: Nunca ninguém me ouviu dizer que rejeito a medicina.

“As emoções são a principal causa de doença ou de saúde”

Integrall: O que é rejeitas em concreto?

Gustavo Santos: Nada. Para mim vale tudo. Tudo é válido. O que as pessoas têm que perceber é que o principal médico da vida delas têm que ser elas próprias, elas é que têm que fazer o diagnóstico através de perguntas, porque o médico não lhes vai perguntar se gostam do que fazem, se amam a pessoa com quem estão, se dormem bem, se se alimentam bem, se fazem exercício físico, se se relacionam com pessoas tóxicas ou não. O médico tem dez minutos para atendê-las porque tem a sala cheia. Não lhes vai perguntar nada disto, aliás, nem aprendeu a fazê-lo. Os médicos não aprendem sobre emoções. Como é que alguém ligadao à saúde se desapropria da saúde das emoções? É impossível. As emoções são a principal causa de doença ou de saúde.

Integrall: Acreditas na psicsicossomática?

Gustavo Santos: Claro. Pessoas que vivem com raiva, com ódio, com rancor, são mais suscetíveis, mesmo em termos de sistema imumitário, de contrair qualquer tipo de doença, vírus, parasita, fungo ou bactéria, como é óbvio, porque estão desalinhadas, descentradas. Uma pessoa que vive em raiva, rancor ou ódio não está alinhada. Uma pessoa alinhada tem de estar em amor, tem que perdoar, tem que aceitar, tem que transformar, tem que aprender que essa dor não é para a mandar abaixo, mas, sim, para ter uma aprendizagem. Então, quando o pessoal de saúde se desliga das emoções, não precisa nada de saúde. Mas a culpa não é deles. A culpa é de quem desenhou o curso de Medicina, que foi a mesma pessoa que desenhou o modelo biomédico. Como é que esta medicina ganha dinheiro? Através da prescrição. Como é que se pode fazer com que as pessoas comprem cada vez mais medicamentos? Formando alunos em doutores, que só sabem prescrever.

Integrall: Quantas pessoas integram a “Associação Movimento Acorda”?

Gustavo Santos: Somos nove sócios fundadores, das mais diversas áreas.

Integrall: Qualquer pessoa pode ser sócia?

Gustavo Santos: Sim.

Integrall: Quanto é que paga?

Gustavo Santos: Paga 10 euros por mês, ou seja, 120 euros por ano, mas se quiser pagar de uma só vez, a anuidade custa 100 euros.

“Neste primeiro momento, não temos mais nada para oferecer aos sócios, a não ser despertarem, a não ser a oportunidade de fazerem parte de uma comunidade, de uma associação que vibra numa frequência ímpar neste país, sem medo e que, independentemente de todos os ataques, se mantém inabalável”

Integrall: Quais são os benefícios de ser sócio?

Gustavo Santos: Os benefícios é fazerem parte de um movimento revolucionário, em Portugal. Esses são os principais benefícios. Nós estamos juntos desde abril, temos estrutura desde abril. Somos recém-nascidos e mesmo assim, já estivemos debaixo de fogo por parte da comunicação social, figuras públicas, umas hipocodríacas, outras aleijadas, outras doentes, mas nenhuma com mais saúde do que eu. Que marcas é que se querem associar a nós sabendo do risco que correm? Portanto, nós, neste primeiro momento, não temos mais nada para oferecer aos sócios, a não ser despertarem, a não ser a oportunidade de fazerem parte de uma comunidade, de uma associação que vibra numa frequência ímpar neste país, sem medo e que, independentemente, de todos os ataques, se mantém inabalável.

No encontro de 10 de outubro, em Santarém, são esperadas 800 pessoas/Créditos: Paulo Castro

Integrall: Já conseguiste acordar muitos portugueses?

Gustavo Santos: Isso depende das pessoas. Aquilo a que me proponho é entregar-lhes as ferramentas, que são olharem para dentro.

Integrall: Que feedback é que já tiveste das pessoas que vão aos encontros?

Gustavo Santos: Pessoas que deixaram de ir às consultas de pediatria, porque começaram a ler as bulas e a perceber que, se calhar, não faziam sentido, pessoas que largaram vícios, hábitos que lhes faziam extremamente mal, pessoas que se ligaram à natureza, que começaram a fazer exercício físico e uma alimentação muito mais consciente, pessoas que tomaram decisões relacionais nas suas vidas, pessoas que começaram, finalmente, a olhar para si próprias e a colocarem-se como prioridade, pessoas que deixaram de querer cuidar de todos, quando isso representava um descuido para si próprias, pessoas que deixaram de ser agradáveis para todos quando isso significava serem desagradáveis para elas. Estas são as grandes transformações.

Integrall: São aquilo que tu praticas?

Gustavo Santos: Isto é o que eu sou.

Integrall: Deixa-me fazer-te uma provocação: tu nunca fazes asneiras na alimentação, nunca prevaricas?

Gustavo Santos: Estás maluca? Claro que faço, como por exemplo, comer 300 ou 400 mililitros de gelado de uma vez.

Integrall: Bebes copos, socialmente?

Gustavo Santos: Copos de água. Não toco numa gota de álcool. Como é que eu vou tocar numa gota de álcool, se sei que está associado a uma mão cheia de cancros? Para mim, não faz sentido. Não toco em tabaco, pratico exercício físico, sou um homem de ligação com a natureza, brinco muito com os meus filhos.

“Eu não conheço ninguém que perdoe tão facilmente como eu, ninguém”

Integrall: Praticas o perdão na tua vida?

Gustavo Santos: Totalmente. Eu não conheço ninguém que perdoe tão facilmente como eu, ninguém, porque há um exercício de perdão, que é muito interessante e que eu nunca larguei: sair da minha pele e colocar-me na tua.

Integrall: Empatia…

Gustavo Santos: Percebi que se eu estivesse na tua pele, se calhar, teria legitimidade para agir como tu agiste e como não há só a minha verdade – existem muitas-, aquilo que, para mim, é certo, pode estar errado para ti e vice-versa. Então, quando desenvolvemos, incondicionalmente, a capacidade de trocar de pele e de nos colocarmos no papel do outro, percebemos que o outro não é mau, está é em processo de aprendizagem e de evolução, tal como nós.

Integrall: A que mudanças de vida é que já assististe nas pessoas que frequentam os teus encontros?

Gustavo Santos: Eu não estou na vida das pessoas, mas costumo dizer: “eu não sei se nos vamos voltar a ver, mas vocês vão estar convosco todos os dias da vossa vida e de tudo que foi dito nesta palestra, algum tema vai saltar como uma pipoca é por aí que devem começar a transformar, a mudar, a melhorar e depois, estão entregues a vocês próprios, porque eu não vou estar em vossa casa logo à noite, não vou acordar convosco, nem vou estar convosco ao pequeno almoço”. A mudança é da responsabilidade de cada um.

“Só há uma verdade no mundo: chama-se amor”

Integrall: Tu deixas a semente…

Gustavo Santos: É o que eu faço. Eu vim aqui com a missão de ser um homem melhor, essa é a minha missão e essa devia ser a tua missão também: seres uma mulher melhor. Depois, através do nosso exemplo, através das nossas tomadas de consciência  – tudo isto sem medo -, conseguimos ser agricultores de verdade. Eu planto a minha verdade e quando tu começares a perder o teu medo, porventura, começas a saber que aquela verdade, também ,faz sentido para ti, porque só há uma verdade no mundo: chama-se amor. Depois, há oito mil milhões de interpretações.

Integrall: Tu tens uma promessa: fazer tudo para que vejas os teus filhos completarem 50 anos, cuidando do corpo e mente ao máximo. Como é que os teus filhos te veem?

Gustavo Santos: Os meus filhos veem-me como um grande amigo, um grande maluco, aquele adulto a quem podem dizer tudo. Digo-lhes muitas vezes: “filhos, não escondam nada do pai, digam sempre a verdade. A única forma que vale a pena viver é através da verdade. O pai fica muito mais tranquilo se fizerem asneira e disserem a verdade, do que aparentarem que não fizeram asneira, mas estiverem a mentir. Essa mentira vai prejudicar-vos ao longo de toda a vossa vida”, para perceberem a importância do que é de sermos verdadeiros e não termos medo de nos expormos quando erramos ou falhamos.

Integrall: Eles orgulham-se do pai?

Gustavo Santos: Eles têm nove, seis anos e três anos. A melhor resposta que eu te posso dar é que que eu estou a viver aquela fase em que eu ainda chego a casa e eles gritam ou eu vou buscá-los à escola e eles vêm a correr, abraçam-me, beijam-me e dizem: “pai, vamos brincar às escondidas ou vamos jogar à bola”. Às vezes, é esmagador, porque são muitas solicitações, mas eu faço questão de aproveitar ao máximo, porque daqui a uns anos, acaba.

“Temos uma visão imparcial, livre, soberana (…) eu jamais poderia ser livre dentro da política. Nenhum político é livre”

Integrall: Gostava que comentasses a frase que está no site do “Associação Movimento Acorda”: “A política pode e deve contribuir para uma sociedade melhor, mas só o amor próprio pode salvar a humanidade”.

Gustavo Santos:
Ninguém pense que a política vai salvar um país ou vai salvar as pessoas, jamais. A política é um jogo, faz parte da nossa sociedade. Eu acredito que nós, enquanto “Associação Movimento Acorda”, quando estiver no poder o governo certo, daremos o nosso contributo. Vivo com essa certeza, porque estamos em sociedade, logo, é importante valorizar a política, mas tem que ser com o governo certo, não com as maçãs podres, que temos hoje em dia e que são fruto de uma árvore amaldiçoada, que se preocupam com tudo, menos com os direitos, a prosperidade, a educação, a justiça e a saúde das pessoas – é tudo areia para os olhos e nós temos uma visão muito diferente. Temos uma visão imparcial, livre, soberana. Nós jamais poderíamos ser um partido político, embora inicialmente fosse o me tenha ocorrido, quando nasceu o “Acorda, mas, rapidamente percebi que eu jamais poderia ser livre dentro da política. Nenhum político é livre.

Tags: Associação Acorda PortugalCNEMAGustavo SantosMovimento Acorda Portugal

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