Pelo segundo ano consecutivo, o Love Summit voltou a encher o auditório da Lispólis, em Lisboa. Cerca de 400 pessoas, entre casados, solteiros e divorciados juntaram-se para ouvir falar de amor (próprio) e relacionamentos nas mais diversas vertentes, desde a sexualidade, passando pelo autoconhecimento, inteligência emocional, até às finanças pessoais.
Em entrevista ao Integrall, Eduardo Torgal, organizador do evento, especialista em relacionamentos, eneagrama e constelações fez o balanço da edição 2026 e antecipou que, no próximo ano, o amor vai “mudar-se para Leiria”. As datas já estão marcadas: 16 e 17 de outubro de 2027.
Integrall: Novidades da segunda edição do Love Summit em relação ao ano passado?
Eduardo Torgal: Aumentámos a fasquia em relação ao ano passado e acima de tudo, tivemos oradores incríveis com uma entrega extraordinária, uns que estiveram da edição de 2025, outros novos, que trouxeram visões diferentes, mas os temas que abordámos são transversais a todas as relações, quer estejamos ou não numa relação, portanto, acho que o conceito é manteremos a identidade.
Integrall: Novidades em relação à edição do ano passado?
Eduardo Torgal: Temos público novo, o que mostra que temos transmitido uma mensagem de qualidade e o facto de termos audiência nova, faz-nos pensar de uma forma diferente, mesmo quando os temas são semelhantes ou próximos, sabemos que isso transforma radicalmente a entrega e a forma de os receber.
Integrall: Este evento destina-se a casados, solteiros, divorciados. Qual destes grupos é que mais procura o Love Summit?
Eduardo Torgal: Este ano, felizmente, tivemos mais casais do que tínhamos o ano passado. Muitas pessoas vêm sozinhas ou porque o companheiro não estava disponível ou porque não estão numa relação, mas, este ano, curiosamente, temos mais casais entre nós, o que é um excelente sinal.
“O relacionamento não é uma coisa estática, não é uma coisa que se assina e que está feita, é um acordo contínuo (…) Estar aqui em casal é a boa oportunidade de olhar para esses contratos e vê-los de uma forma consciente”
Integrall: Esses casais vêm nutrir a relação?
Eduardo Torgal: Vêm nutrir e acima de tudo, mostrar que têm uma visão de inteligência emocional em relação ao relacionamento, pois o relacionamento não é uma coisa estática, não é uma coisa que se assina e que está feita, é um acordo contínuo. Esse acordo tem que ser renovado ao longo da sua vida. Estar aqui em casal é a boa oportunidade de olhar para esses contratos e vê-los de uma forma consciente.
Integrall: Considera que é importante olhar para as relações?
Eduardo Torgal: Sim, olhar para as relações é uma das coisas mais importantes da nossa vida, da mesma forma que olharmos para a nossa carreira e para a nossa família. Se nos esquecermos uma dessas partes, obrigatoriamente, perdemos aquilo que é a base.

Integrall: Este ano, continua a haver mais mulheres do que homens?
Eduardo Torgal: Sim, ainda mais há mais mulheres do que homens, mas sinto que, cada vez, mais vêm mais homens.
Integrall: Quantas pessoas estiveram presentes ao longo dos dois dias?
Eduardo Torgal: 405 pessoas.
“Para o ano, o amor (Love Summit) vai para Leiria”
Integrall: Casa cheia novamente?
Eduardo Torgal: Sim.
Integtall: Mais espaço houvesse…
Eduardo Torgal: Vai haver. Posso adiantar que, no próximo ano, estaremos em Leiria com um acordo com a câmara municipal, que gostou muito do projeto e nos convidou para fazer lá o evento. Vamos ter praticamente o dobro da sala.
Integrall: Mas vai manter o Love Summit de Lisboa?
Eduardo Torgal: Não, para o ano, o amor vai para Leiria.
“As pessoas que vêm ao Love Summit procuram olhar para a relação de uma forma consciente, de uma forma honesta, ver ângulos para onde, muitas vezes, não conseguem olhar”

Integrall: O que é que as pessoas procuram no Love Summit?
Eduardo Torgal: Eu acho que, acima de tudo, procuram olhar para a relação de uma forma consciente, de uma forma honesta, ver ângulos para onde, muitas vezes, não conseguem olhar, seja nas finanças, seja na espiritualidade, seja na parentalidade, que são todas essas áreas que nós procuramos cobrir aqui no evento.
Integrall: Há anos que o Eduardo se dedica à área dos relacionamentos amorosos. O que é que ensina a quem o procura: aquilo que ensina aqui ou vai mais além?
Eduardo Torgal: Cada pessoa e cada perfil requer ajudas diferentes, a ajuda também é diferente consoante as pessoas estão fora ou numa relação, mas à procura de um caminho comum. Nós temos um programa – “Power Couple” -,para casais empreendedores. É um trabalho que faço com a minha esposa, Joana, onde trabalhamos temas como, por exemplo, o facto de quem é empreendedor, acabar por determinar uma forma diferente de estar na relação.
Integrall: É um programa virado para casais que trabalham em conjunto, como o Eduardo e a Joana, ou não é obrigatório?
Eduardo Torgal: Não têm que trabalhar em conjunto, mas são empreendedores ou são donos da sua agenda, casos em que sabemos que a agenda invade a relação e em que, muitas vezes, sentimos, quando se olha para a relação, se percebe que se está a cumprir outras funções que não a dos relacionamentos, que é a (nossa) principal função.
Integrall: O que é que tem aprendido sobre os relacionamentos com as pessoas que o procuram?
Eduardo Torgal: Temos sempre que melhorar a nossa relação. Cada caso, cada casal, cada pessoa que nos procura dá-nos, ao fim ao cabo, visões sobre as suas soluções, sobre ângulos que já têm trabalhado e isso é sempre útil porque isso dá-nos uma perspectiva mais consciente e uma atenção permanente que, se calhar, não temos em relação aos relacionamentos.
“O ‘segredo’ dos casais felizes é ter a coragem e a capacidade de renovar permanentemente os contratos do relacionamento (…) olhar para as feridas e para as necessidades que não estão a conseguir suprir”
Integrall: Qual é o “segredo” dos casais felizes?
Eduardo Torgal: Aceitar que o relacionamento tem contratos, que são acordos que fazemos, e ter a coragem e a capacidade de os renovar permanentemente. Isso vai fazer-nos olhar para feridas que temos, para as necessidades que não estamos a conseguir suprir e isso ajuda-nos, de facto, a renovar e repensar a relação.
“Hoje em dia as redes sociais entram, permanentemente, pela casa como se fosse o melhor filme do mundo (…) cada vez mais, as pessoas são afetadas por esse impacto e não têm a capacidade de filtrar e perceber que somos reais, não virtuais”
Integrall: No Love Summit, falou de dois enganos nas relações: a expectativa Disney e o facto de as pessoas procurarem relações perfeitas. Os casais têm noção disso?
Eduardo Torgal: Hoje em dia, as redes sociais entram, permanentemente, pela casa das pessoas como se fossem o melhor filme do mundo. Então, eu acho que, cada vez mais, as pessoas são afetadas por esse impacto e não têm a capacidade de filtrar e perceber que somos reais, não somos virtuais e, portanto, com o avançar da tecnologia, da inteligência artificial, eu vejo, cada vez mais, esse abismo a aumentar. Acabam por ter uma visão muito distante da realidade.

“Não é fácil, muitas vezes, olhar para o outro com gentileza, sem pensar que (nos) está a atacar, a querer provocar ou a criticar – é preciso entrar numa perspectiva mais de consenso e de aceitação”
Integrall: O que é que faz com que um relacionamento funcione?
Eduardo Torgal: Acima de tudo é ter a capacidade de olhar para nós, em primeiro lugar, ou seja, saber quais são as nossas feridas e que muitas vezes, temos uma exigência com a outra pessoa de uma fita que é nossa e por outro lado, ter gentileza em relação à vida dos outros. Isso é muito importante, mas não é fácil, muitas vezes, olhar para o outro com gentileza, sem pensar que (nos) está a atacar, a querer provocar ou a criticar – é preciso entrar numa perspectiva mais de consenso e de aceitação.
Integrall: Mas para isso é preciso que o outro e que nós mesmos tenhamos consciência das nossas feridas…
Eduardo Torgal: O trabalho vai ter de ser sempre feito por nós, porque, senão, estamos só a projetar no outro as nossas feridas. Se eu estiver bem e a outra pessoa não, eu tenho mais capacidade de ajudá-la, agora, se ambos não estivermos bem, ninguém se consegue ajudar.
Integrall: O que é um relacionamento saudável?
Eduardo Torgal: É um relacionamento que nos permite estar e sentirmo-nos em segurança, no dia-a-dia. É um relacionamento onde podemos sentir-nos amados, transmitir amor e onde haja atos que o comprovem.
Integrall: O que é que é saber amar?
Eduardo Torgal: Saber amar é ter a capacidade interna de olhar para nós, ver as nossas feridas, ver as nossas diferenças e apesar disso, gostarmos de quem somos.
Integrall: O que é saber ser amado?
Eduardo Torgal: É dar permissão que o outro veja isso em nós, porque, às vezes, nós não estamos vê-lo, embora o outro consiga ver essas qualidades especiais do somos – só não lhe damos espaço para isso.
“Os casais devem pedir ajuda antes de entrarem em crise”
Integrall: Quais são as maiores dificuldades dos casais?
Eduardo Torgal: Acho que, acima de tudo, é não comunicarem aquilo que é a sua necessidade e a sua intenção. Quando há muito receio em falar sobre um tema e não há uma conversa, por norma, esse tema cresce de uma forma gigante. Claro que ele tem uma origem que a incapacidade que temos de lidar com feridas do passado, de olhar para coisas que nos estão a magoar e isso, depois, acaba por ser um efeito em bola de neve.

Integrall: Que conselhos dá aos casais para superarem as dificuldades quando estão em crise?
Eduardo Torgal: Pedir ajuda antes de estarem em crise. Nós ainda temos um paradoxo, um preconceito na questão dos relacionamentos, que é: “eu só devo pedir ajuda se eu tenho um problema” e inclusive, se dissermos a um amigo que estamos a ter ajuda na nossa relação – parece que é um preconceito sério precisar de ajuda.
Integrall: Como se fosse uma fraqueza?
Eduardo Torgal: Sim, mas, felizmente, no que toca à saúde mental, estamos a abrir-nos, cada vez, mais para essa possibilidade, esse caminho e eu acredito que uma das missões do Love Summit é, também, trazer à consciência que não precisamos de ter um problema para o resolver. Nós não vamos ao ginásio porque temos uma lesão, vamos ao ginásio porque queremos estar bem. No caso dos relacionamentos, é um pouco olhar para a relação que tem que ser nutrida, ou seja, temos de desconstruir todos os conceitos que vêm da Disney, das redes sociais e criar uma relação real.
Integrall: Começa a haver uma maior consciência sobre isso?
Eduardo Torgal: Começa a haver, sim, e termos casa cheia é a prova disso.
Integrall: Lembro-me que, no ano passado, me disse que as pessoas hoje em dia desistem facilmente das relações. Continuam?
Eduardo Torgal: Continuam. Nós vemo-lo quando acompanhamos alguém: as pessoas não conseguem lidar com certas frustrações, o que as impede, muitas vezes, de estar ao lado de alguém. Há um desconforto em ter que lidar consigo próprias e sempre que essa dor é ativada, precisam de fugir.
Integrall: Fala de desistência, mas, a verdade, é que aquela planta que trouxe para o Love Summit como símbolo do que se deve fazer nas relações, voltou este ano, não desistiu…
Eduardo Torgal: Não desistiu, porque teve acompanhamento, teve ajuda, foi nutrida.

Integrall: Fazem faltam mais eventos como este?
Eduardo Torgal: Eu acho que sim. Nós queremos fazer este caminho, que está no início – este é o segundo ano – e no próximo, vamos estar num espaço mais exigente do ponto de vista do bilheteira, onde esperamos envolver o dobro das pessoas, portanto, é um caminho que tem que ser feito.
Integrall: Mantém a vontade de levar o Love Summit para o estrangeiro?
Eduardo Torgal: Sim, mas, mais importante, neste momento – sabemos que ainda há muito trabalho a ser feito em Portugal – é a consolidação, porque o modelo está criado e as equipas estão feitas. Agora, de facto, elevar o Love Summit para outro patamar, exige mais. Quem sabe se, o próximo ano, possa ser já o início desse caminho (do estrangeiro).
Integrall: Balanço da edição deste ano?
Eduardo Torgal: A qualidade dos oradores foi incrível, a entrega de cada um deles foi incrível e eu acho que esse é o ponto do Love Summit: a qualidade dos palestrantes que fazem o evento.
Integrall: Não sei se reparou que o elemento mais novo que esteve aqui no auditório foi um bebé com dois meses de idade. Começou cedo a aprender sobre amor…
Eduardo Torgal: Mais do que isso, é que não há desculpas para não vir. O casal podia dizer: “aí uma boa desculpa para não irmos (ao Love Summit)”, ele só tem dois meses, não vamos” –, mas conseguiram vir. São um bom exemplo para aqueles arranjam desculpas para não vir. Este casal mostra o que é estar, o que é querer estar.
“Todos os seres humanos precisam de afeto para sobreviver”
O organizador da 2ª edição do Love Summit, Eduardo Torgal, abriu o evento acompanhado da planta que marcou presença na edição de 2025, símbolo de como se devem nutrir as relações: “no final do evento, foi para casa e foi cuidada durante um ano para estar aqui hoje, melhor ainda do que estava no ano passado. É sobre isto que vamos falar estes dois dias: como construímos uma relação dia após dia”, antecipou, sublinhando: “o amor não é para viver só em quatro ou cinco momentos do ano e nós estamos sempre à espera que haja o momento certo para manifestar o amor, para dizer alguma coisa sobre o amor”.
E assim foi. Ao longo de todo o fim de semana, o amor esteve no ar. Vários especialistas passaram pelo palco para o abordar nas suas mais diversas formas.
A primeira palestra esteve a cargo de Inês Gaya, psicóloga clínica, especialista em trauma e cura emocional, com o tema” Autoconhecimento, inteligência emocional e transformação”.
A especialista enunciou as várias feridas emocionais e fez a sua ligação diversos estilos de apego. “Diz-me como te apegas, dir-te-ei quem és” deu o mote” para a conversa com a audiência a quem lembrou que “todos os seres humanos precisam de afeto para sobreviver”. A especialista em saúde mental recordou ainda que “a cabeça está a adoecer porque o coração está a adoecer. Estamos com os números a disparar, estamos com uma crise de saúde mental enorme no mundo. Falta-nos, cada vez, mais vínculo, contacto, relação. Por isso é que eu estou tão feliz de estar aqui hoje e de ver esta sala cheia porque nós precisamos de voltar a este sítio. Precisamos de voltar a estar em contacto, de dar abraços. Isto não é uma ideia romântica, é a nossa sobrevivência que está em causa”.
Depois de uma meditação guiada por Inês Gaya, subiu ao palco, a também psicóloga Bárbara Ramos Dias, especialista em crianças e adolescentes, a que se seguiu Catarina Brandão, especialista em finanças pessoais e literacia financeira.
A tarde ficou marcada por momentos de humor, de fado e pelo “Power Couple”, Eduardo Torgal e a esposa, Joana Carvalho Costa, que ensinam casais a conciliar a relação com trabalho.
O segundo dia do Love Summit começou com um teste aos relacionamentos trazido por Eduardo Torgal, que acompanhou o público em cada resposta. O “barómetro” das relações podia ser respondido a pares ou individualmente.
Logo depois, o fisiologista Hugo Bernardes pôs a audiência “a aquecer” para dizer que “o amor também se treina” e que “a partir do exercício físico também conseguimos ter estratégias para gerir melhor as nossas emoções, as emoções do outro, compreendê-las e ao mesmo tempo, ter uma relação melhor”.
O momento mais aguardado do dia foi a palestra da especialista em relações e sexualidade, Susana Dias Ramos, que, pelo segundo ano consecutivo, arrancou inúmeras gargalhadas e aplausos do público. Com o humor e estilo descontraído que a caracterizam, a psicóloga explicou, cientificamente, as três hormonas que estão ligadas ao amor, paixão e desejo e como é que cada uma delas se manifesta no corpo humano. Salientou que “a intimidade não é sexo, mas o sexo alimenta a intimidade” e revelou que o segredo das relações duradouras é “saber que a pessoa que amamos não nos pertence”.
O fim de semana terminou com “o eneagrama no amor”, em que o especialista na matéria, Eduardo Torgal, enumerou e explicou, em pormenor, os nove tipos de eneagrama e convidou a audiência a descobrir o seu tipo, ressalvando, contudo, que cada pessoa pode ser vários tipos. Um exercício que, segundo o próprio, ajuda as “pessoas a conhecerem-se para (se) amarem melhor”, porque, como dizia Inês Gaya no primeiro dia: “onde há amor, há caminhos”. E o de 2027, vai dar a Leira, onde decorrerá a 3ª edição do Love Summit.






